quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

CRÔNICA – FORMATURA LETRAS 2012.1


 
Por Joelma Sena e Paula Jesus
NA PORTA DA UNIVERSIDADE

(Paráfrase ou Reescritura do texto Porta de Colégio de Affonso Romano de Sant’Anna)

- ( JOELMA ) Passando pela porta da Universidade, me veio uma sensação nítida de que aquilo era a porta da minha própria vida, aberta para o conhecimento. A sensação era de expectativas. Por isto, parei como se precisasse ver melhor o que via e previa. Previa uma diferença entre o clima quente, daqueles que passaram no vestibular de 2008. E o clima de   acolhidos dos que se agregaram aos ditos “Filhinhos da Mamãe”, então: síntaxe a vontade,  estava formado ali, um bando de jovens eufóricos, ansiosos por um sonho uniforme.     

- ( PAULA ) E na formação desse bando de jovens eufóricos, sentados pelos corredores da Universidade, uns comendo amendoim, outros pimentinha, uns salgadinhos, outros tomando uma biritinha, outros saindo de fininho para vê o amorzinho, uns seguindo o movimento estudantil. Mas, todos faziam parte de uma mesma sintonia, compartilhavam aprendizados, sonhos, sofrimentos e ‘primaveras’. Porém, sempre buscaram suplemento na fonte do conhecimento, a fim de se embriagar por vitalidade e sabedoria. Dessa forma, eles aprenderam que a vida é também um exercício de separação, uma pancada de emoção e uma série de outros sentimentos. E foram esses sentimentos que marcaram suas identidades, algumas fragmentadas, ou totalmente, descentralizadas (rsrsrs), seguindo as teorias do  descentramento do sujeito pós-moderno, outras sem tanto entrosamento, mas sempre se apoiando no experimento!

- ( JOELMA ) E agora, onde estarão esses jovens eufóricos?

- ( JOELMA ) Onde estarão os Medina’s, onde estarão as Galzita’s, onde estarão as pequeninas, ondes estarão os PM’s, onde estarão os sorridentes, onde estarão os debochados, onde estarão os enamorados, onde estarão os casados, onde estarão?

- ( PAULA ) os nossos jovens estão ali, materializados em seres humanos competentes, como aquele negro sorridente, inteligente e contente que nos recepcionou enquanto calouros, né Edcarlos? Sempre carismáticos! Estarão dentro da pequena grandeza daquela menina sabida, de fala ligeira, né Léia? Sempre quietinha!

- ( JOELMA ) Os nossos jovens estarão ali, naquela russa brasileira, dedicada, corajosa, teórica e guerreira, ne Edineia? Sempre serena! Estarão dentro daquela mulher calma, esforçada e com uma aura cristalina, né Viviane? Sempre positiva!

 - ( PAULA ) Os nossos jovens estarão ali, dentro daquele pequeno-grande baiano, sorridente e inteligente, né Sinho? Sempre quetinho! Estarão dentro daquela pessoa com uma cara de sisudo, mas sempre brincalhão, né Edvaldo? Sempre resenhista! Morde e assopra!

- ( JOELMA ) Os nossos jovens estarão ali, debaixo daquele óculos estilo harry potter, com o toque de celular de balão mágico, né, Márcio? Sempre metrificadinho! Estarão dentro daquela mulher de cabelos negros, com um rostinho delicado, de sainha  abaixo do joelho, né Járede? Sempre educadinha!

- ( PAULA ) Os nossos jovens estarão ali, dentro daquela criticidade inteligente apelidada de medina, com um sarcasmo enraizado e um companheirismo revolucionário, né Luciano? Sempre debochado! Estarão dentro daquela tagarelice apelidada de braulina, educadora, extremamente esforçada, batalhadora, né Juçara? Sempre amiga!

- ( JOELMA ) Os nossos jovens estarão ali, debaixo daqueles longos cabelos louros, aquela maquiagem azul e, aquela tranquilidade, né Joana? Sempre arrumadíssima! Estarão dentro daquele pretinho com sorriso aberto, aquelas apresentações debochadas, aquele tamanhozinho, né Adriano (rsrsr)? Sempre fazendo graça!

- ( PAULA ) Os nossos jovens estarão ali, naquele instinto revolucionário de gal guevara, fiel educadora, desbravadora e sonhadora, né Gal? Sempre contente. Estarão dentro daquele instinto conciliador, com uma pitada de calmaria e bondade, né Joilton? Sempre responsável!

- ( JOELMA ) Os nossos jovens estarão ali, debaixo daquela altura e magreza, às vezes, atrasada, né Adriana? Sempre trabalhadeira. Estarão ali, debaixo daquele sorriso quieto, aquela jornada tripla, mas sempre prestativa, né Alessandra? Sempre delicadinha!

- ( PAULA ) Os nossos jovens estarão ali, debaixo daquele jeito atencioso, sempre esperançoso, daquela mulher cheia de alegria, né Ana Paulinha? Sempre linda! Estarão debaixo daquele jeito desafiador, despertado por um desejo de adquirir aprendizado, e educar o pequeno, né Estefânia? Sempre sincera.   

- ( joelma ) Os nossos jovens estarão ali debaixo daquele cachinhos com um sorriso contagiante, daquela menina-mulher responsável, sem vergonha e elétrica, né Paula Jesus? Sempre ansiosa! 

- ( PAULA ) Os nossos jovens estarão ali, naquele mulherão que não leva desaforo pra casa, estudiosa e mãezona, destemida e batalhadora, né Joelma Sena? Sempre cuidadosa!

Olhamos aquele bando de jovens eufóricos, agora no fim de um ciclo, que além de filhinhos, tornaram-se, na prática verdadeiros guerreiros.  Mas, entre filhinhos e agregados, salvaram-se todos!!! E hoje estamos aqui realizando este grande sonho e, com fé em Deus será o primeiro de muitos.

OBRIGADA A TODOS E A TODAS! SUCESSOO! PAZ & LUZ !!!

 

 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Mudaram as estações


Por Glauce Souza, uma apaixonada por Letras

À Jeferson Xavier e Carla Ferreira
(Estudantes do curso de Letras da UESB, campus de Jequié)



Estou à flor da pele. Daqui a alguns dias receberei o título de licenciada em Letras pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) campus de Jequié. Me despedindo da graduação, e como era de se esperar passa um filme em minha mente de tudo que vi, vivi e aprendi. Estas semanas que antecedem a minha colação de grau estão rodeadas do que chamo de reflexões/monólogos. São pensamentos como: “O que aprendi no curso de Letras?”, “O que será de mim daqui pra frente?”, “O que encontrarei em sala de aula?”, “Sentirei saudade da graduação!”, “Quero voltar à universidade!”, “E o mestrado?”, “Como mudei...” “Como o curso mudou...”
Num clima de despedida da graduação e sensível como estou não posso deixar de parabenizar a comissão organizadora e os fazedores do I Seminário de Estudos Linguísticos Teóricos e Aplicados (SELTA), ocorrido esta semana na UESB de Jequié. Para mim, o I SELTA resgata indiretamente o espaço de ações, reflexões e denúncias construído nas Semanas de Letras e no Ciclo de Eventos Linguístico, Literários e Culturais (CELIC) ocorrido em 2011.
Estudantes e professores entenderam que estes espaços são indispensáveis para o crescimento da área de Letras, por isso construíram o SELTA e ensinaram muito. A professora Rosana Alves corajosamente assumiu o desafio da coordenação e durante estes dias sinalizou muita coisa boa que está por vir. Os estudantes (não todos), mas suficientes para contribuir com a melhoria do curso, demonstraram entender também a importância destes espaços. Colocaram a mão na massa, nos livros, no microfone. Apresentaram muitos e bons trabalhos e disseram o que pensam. Foram autocríticos. Assumiram suas faltas em sala de aula, porque entendem que lá não é o único lugar do conhecimento. Muitos deles demonstraram indignação com o boicote por parte de outros professores, prática tão corriqueira e vergonhosa em nosso meio. Veteranos que reclamaram em uníssono “o currículo antigo, velho e defasado do curso”. Doutores que saíram/saem dos gabinetes, compartilharam conhecimento e instigaram os orientandos durante estes dois dias. Pesquisadores de outras universidades que apresentaram novidades e compartilharam informações.
Ao rememorar o ano de 2007, ano de início da minha graduação, e ao participar do SELTA em 2012, ano de conclusão, percebo quanta coisa mudou no curso de Letras. De lá pra cá muita coisa sem expressão ganhou vida, muita coisa raquítica cresceu, uma representação estudantil foi eleita, conhecimentos compartilhados e os desafios enfrentados.
Estou me despedindo da graduação com a certeza de que: o curso que encontrei há cinco anos, não...definitivamente não é o mesmo, alguma coisa com certeza aconteceu!
Parabéns a todos e a todas, fazedores do curso de Letras!

Vídeo da música "Por enquanto" (Cássia Eller):
http://www.youtube.com/watch?v=lYfq5vARrVw

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Opinião

            Estes textos foram produzidos por alunos do 2º Ano da turma A, matutino, do Colégio Estadual Maria José de Lima Silveira, meus alunos do Estágio Supervisionado II. Peço que você, leitor (a), desconsidere qualquer tipo de inadequação gramatical caso ainda encontre nestes textos, pois, a revisão feita deles foram insuficientes para melhorar ainda mais os textos dos alunos.  Estes textos fazem parte do projeto Cidade de Deus: intertextualidade e produção que tinha como objetivo exibir o longametragem Cidade de Deus e a partir dele produzir textos com as temáticas apresentadas no filme para publicação neste blog. Este trabalho é uma contribuição dada ao ambiente escolar para que ele se constitua como espaço propício à transformaçaõ social e devolução do direito à palavra às classes desprivilegiadas que, em grande maioria, ocupam os bancos das escolas públicas no Brasil. Boa leitura!!!

 
 
 
           Por Bruna Souza

 Corrupção
Quem devia proteger se junta aos marginais

Vivemos em uma sociedade totalmente insegura e perigosa, está a cada dia mais difícil encontrar pessoas confiáveis e honestas. As pessoas estão cada vez mais insensíveis, influenciável e o número de pessoas corruptas cresce cada vez mais.
            Médicos, políticos, professores são pessoas que teriam que ter compromisso com a verdade mas, nem sempre isso acontece. Eles se deixam corromper pelo dinheiro ou pela fama. O que mais choca é a corrupção de policiais, pois, ao invés de prender os traficantes eles estão se igualam  a eles. Traficando armas, matando pessoas inocentes, fazendo vista grossa para os marginais em troca de dinheiro. Esse é o ponto, dinheiro. O poder sobe àcabeça das pessoas elas passam a cometer delitos a fazer besteiras que depois se arrependem mas, as vezes já é tarde para arrepender-se por isso tem que se tomar muito cuidado com o dinheiro e o poder eles são aliados mas, podem se tornar vilões na vida de quem as possui.

           Por Camila
 
Corrupção policial
 
Os policiais são os heróis do povo, pois são eles que nos protegem, mas no meio dos heróis há também os vilões, policiais corruptos que aproveitam sua profissão para ter vantagens. Ao prender bandidos alguns policiais recebem propinas para liberar o detento, fornece armas aos traficantes e muitas vezes recebem parte do dinheiro que vem do tráfico.
Esse tipo de ação é vista no filme “Cidade de Deus”, os policiais vendem armas a um traficante de drogas, e em um momento em que o traficante não paga por elas, os fornecedores cobram pessoalmente.
Concluindo, os policiais são heróis, eles combatem a violência nos protegem e cuidam para que a ordem seja mantida, mas alguns deles se escondem atrás de máscaras obtendo vantagens para benefício próprio.
 
 
Por Murilo Henrique
 

Drogas
 
Um assunto discutido com frequência pela mídia e pela população é a questão das drogas. É cada vez mais comum encontrarmos adolescentes e adultos que entraram completamente nesse mundo, isso acontece muitas vezes por falta de oportunidade ou até mesmo por influência. O número de viciados vem crescendo e nada é feito para mudar essa situação.
No Brasil a porcentagem de usuários cresceu 160% em quatro anos, de acordo com um levantamento realizado pela ONU em 2008. Muitas pessoas começam a fazer o uso da droga e não conseguem controlar o ritmo do consumo.
            O pior é que quanto maior o número de usuários, quem se fortalece é o tráfico, que com ele puxa outros problemas como violência, corrupção e etc.
            Na minha opinião muita coisa pode e deve ser feitas para amenizar  esse quadro, como a atuação constante das autoridades, campanhas de conscientização da população. Facilitar acesso de usuários à clínicas de reabilitação, pois muitos querem se tratar e não tem apoio ou oportunidade de tratamento.


Por Fredson Cardoso

A violência

            A criminalidade é tamanha que as pessoas são forçadas a se trancarem em suas residências com medo que sejam os próximos no necrotério.
            Nos bairros periféricos pessoas vivem em prisão domiciliar por opção própria para fugir junto com filhos e outros parentes de um monstro chamado violência, devoradores de mulheres, homens, velhos e crianças. Este monstro só pode ser parado pelo super herói a Educação este o qual da força e impulsiona os jovens a lutarem pelos seus direitos e igualdades. Ajudando suas comunidades a não mais serem mortas roubadas ou ingressadas no crime.
A vilã violência só será destruída se todos lutarem e libertaram a sociedade de suas prisões.




 

domingo, 16 de setembro de 2012

John Sanctus



Amigo John Sanctus, aniversário é oportunidade de se pensar a vida. E pensar a vida pensando em você é descobrir que nela podemos dançar, abandonar as roupas velhas, desencaixotar Deus, crescer sem abandonar a sinceridade que há em uma cria...
nça, sorrir, chorar, falar sério, fazer resenha, virar madrugada em um lugar desconhecido e mesmo assim fazer valer à pena, amar, ser amado (a), e acima de tudo ser feliz!
A tua intensidade no viver me encanta e me desafia a cada dia!
Feliz aniversário!!!
Te amo!!!
Ainda te dedico este trecho da música do grande poeta Gozaguinha "...E a vida! E a vida o que é? Diga lá, meu irmão ela é a batida de um coração..."
09/08/2012
 
 

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Carta aos meus alunos do Estágio


           
Jequié, 30 de agosto de 2012
 
Queridos alunos do 2º Ano do Colégio Estadual Maria José de Lima Silveira,
 
Pensei em oferecer para vocês algo que pudesse servir como lembrança deste período que passamos juntos. Descobri que não haveria nada melhor do que oferecer-lhes palavras, afinal de contas foram elas que nos ligou.
Estas palavras que ofereço á vocês são palavras de gratidão por me receberem e por protagonizarem comigo este período necessário para a conclusão do meu curso.
Sei que o tempo que passamos juntos não foi suficiente para estreitar laços e aprender mais sobre literatura, gramática e, sobretudo, sobre a vida. E por falar em vida, resolvi contar um pouco da minha História.
Estudei na rede pública de ensino desde a 1ª série do ensino primário. Fui, assim, como vocês, vítima de um sistema composto de deficiências e descompromissos. Tudo isso porque Educação em nosso país não é prioridade. Logo cedo comecei a sonhar em estudar na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Este sonho tornou-se realidade no ano de 2007 e hoje estou aqui concluindo mais uma etapa da minha vida. Nesta caminhada, mesmo diante de pessoas que não levam a sério a Educação pública, tive a oportunidade de encontrar outras comprometidas que muito contribuíram para que eu estivesse onde estou hoje. Confesso que em minha história de vida há motivos suficientes para que eu não dedicasse minha vida aos estudos, pois, sou de uma família humilde e já passei por muitas dificuldades. Porém, resolvi investir em algo que não me daria um retorno imediato, optei em estudar Letras. Este ano estarei concluindo o curso e para isso foi necessário estagiar em uma turma do Ensino Médio. Para quem acredita em destino poderia dizer que foi ele quem me colocou aqui. Eu acredito que nosso encontro é fruto divino.
Estar com vocês durante 20 aulas foi muito enriquecedor para mim, pois, pude confirmar que a minha escolha pela Educação foi a escolha certa para a minha vida. Dizem por aí que na vida devemos fazer aquilo que amamos e só assim seremos felizes. No Estágio descobri que nasci para isso, amo ensinar e sinto prazer em compartilhar conhecimentos.
Agradeço à vocês por protagonizar comigo este período, compartilhar conhecimentos e construir uma História.
Desejo à vocês sucesso na vida e realização de todos os sonhos cultivados!
 
Glauce Souza Santos
(Estagiária de Língua Portuguesa e Redação)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A vida é sempre mais

      
           No último dia 11 na Comunidade Batista Oásis, mais uma vez fomos conduzidos a uma reflexão coletiva recheada de simplicidade, graça, milagres e aprendizados para continuar caminhando com Jesus de Nazaré, aquele que se revela cotidianamente apontando algo novo para as relações da vida.
           A palavra ministrada pelo amigo e pastor Dey foi baseada no capítulo 11 do evangelho de João onde encontramos a narrativa da morte e ressurreição de Lázaro. A reflexão nos proporcionou uma aproximação de tudo aquilo que possivelmente esta morte e ressurreição nos ensina na caminhada com o mestre de Nazaré. Dey nos fez perceber como a narrativa de João pode nos deixar em “parafuso”. Primeiro, porque Jesus não se importa muito ao receber a notícia que o seu amigo estava enfermo. Parece que Jesus não se dá conta do poder que tem a presença de um amigo para um doente. Segundo porque Jesus demonstra total desprendimento em relação ao tempo cronológico e não se importa caso chegue atrasado ou tarde demais para o cerimonial fúnebre do seu amigo.
Se olharmos para esta História e fizermos aquele velho exercício de aplicação dos ensinamentos do texto bíblico às nossas vidas, vamos perceber que Deus também se revela no cenário das incertezas, dos traumas, das inquietações e tempestades no coração e isto muito nos ensina. É no cotidiano incerto que a ressurreição acontece.
Confesso que ao ler a narrativa cresceu dentro de mim certo medo, por saber que ela sendo mal interpretada, pode se enquadrar perfeitamente como um belo exemplo para a Teologia da Barganha, pelo simples fato de Jesus ressuscitar Lázaro após ser adorado. Não se assuste caso encontre por aí um pregador da barganha dizer: Adore como Maria, irmão de Lázaro, que a vitória é certa! Mas, deixando o medo de lado, confesso conseguir enxergar que Maria adora sem imaginar que naquele dia seu irmão ressuscitaria. E ainda, que a maior ressurreição desta história talvez não seja aquela acontecida com Lázaro, mas aquela sucedida nos corações de muitos presentes, a ressurreição do verdadeiro sentido da vida.
Na narrativa, Maria nos ensina o que é ter uma vida em constante adoração independente das circunstâncias. Parece que ela sempre escolheu a melhor parte, a exemplo do dia em que preferiu estar aos pés de Jesus, dia movimentado em sua casa – e isso não revela uma Maria irresponsável diante dos afazeres, mas, revela uma Maria que sabe valorizar cada momento da vida.  Ela é também aquela que adora, mesmo diante de cenários em que a morte está presente como principal adereço.
É preciso aprender que durante nossa existência para que haja ressurreição é necessário deixar morrer alguns lázaros e não só deixar morrer, mas principalmente, deixar cheirar mal e isso requer tempo.
Que possamos deixar morrer os traumas e as inquietações, só assim compreenderemos a maior lição desta história, a vida não se acaba no túmulo.  Jesus é aquele que chora diante da ausência da fé e manifestação da desesperança porque ele quer apenas nos ensinar: a vida é sempre mais.


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Pra não dizer que não falei da vida

Valendo-se das palavras de Victor Hugo, Frejat, Camões, Drummond e Paulo pra te falar...

Luanna,
Parece que você, já entendeu
ou tem entendido que toda idade tem prazer e medo.
Por isso, desejo que você não pare de caminhar
com fé, esperança e coragem
neste cenário encantador chamado vida.
Desejo que a tolerância seja a sua sentença
para aquelas pessoas que erram feio e bastante...
Desejo que a tristeza não se perpetue em sua vida
mas, que fique somente um dia.
Que você ganhe dinheiro e se por acaso você ganhar
muito dinheiro, não esquece de dizer a ele,
pelo menos uma vez, quem é mesmo o dono de quem...
Ah!!! E como ele não podia faltar...
vou falar do AMOR.
Que você tenha sempre a quem amar!
Porque o amor “é bicho instruído”,
“é fogo que arde sem se ver” e “é caminho excelente”.
Mesmo assim, desejo que quando você estiver bem cansada
ainda exista amor pra recomeçar...a viver!
FELIZ VIDA!!!
02/08/2012

terça-feira, 17 de julho de 2012

Gênero e Religião

           O Diretório Central dos Estudantes (DCE), juntamente com a Aliança Bíblica Universitária (ABU) da UESB campus de Jequié promove a primeira palestra sobre Gênero e Religião com o tema: Entre a sacralização do profano e a profanação do sacro que acontecerá no dia 25 de julho de 2012 às 19 h no Auditório Wally Salomão. Faz parte da abertura do evento a apresentação do solo de dança de Ramon Luduvico. A palestrante do evento será a profª. Aletuza Gomes Leite, especialista em Teologia e Cultura e pesquisadora das questões de gênero, sexualidade e espiritualidade na literatura profética da Bíblia Hebraica. Aletuza está vinculada à Faculdade Anísio Teixeira (FAT) e à Faculdade Batista Brasileira (FBB). Esta palestra será mediada pela profª. Adriana Barbosa, pesquisadora do conceito de gênero nos estudos linguísticos e literários. A inscrição será realizada no dia do evento. Será disponibilizado certificado aos ouvintes. Contamos com a sua presença!



 

domingo, 17 de junho de 2012

Pranto amargo


Ando por uma terra
onde tudo é sequidão.
Já não vejo boi vistoso,
vejo boi magro no chão.

Vejo a moça que lê O quinze
e chora sua condição.
Vejo roceiro ir pra cidade
em busca de solução.

Vejo animais morrendo,
sem ter como se valer.
Vejo famílias em luto
overbo é apenas morrer.

Olho pro céu tristonho
e fico a matutar.
Por que tamanha judiação?
Eu quero apenas plantar.

Única água que vejo,
essa não serve não.
É a água dos meus olhos,
pranto amargo do sertão.

Já fazia trinta anos.
Essa veio pra se vingar.
São José inda não deu jeito,
o negócio é lamentar.

A espera castiga gado
castiga terra, plantação.
Leva nossa gente a dizer:
essa terra tem jeito não!

A cidade começa a sentir
a falta que a chuva faz.
O leite já tá faltando
na mesa daquele rapaz.

Os doutores se reúnem
a fim de discutir.
Falam de métodos
pra fazer água fluir.

Mas se sou mesmo um forte
Como dizem por aí,
vou fazer valer o ditado,
não vou deixar minha fé sumir.

Vou esperar água do céu,
essa com fé há de chegar.
E com alegria vou dizer,
essa é pra plantar.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

“Deus é brasileiro” e a Teologia da Prosperidade

Somente depois de quase dez anos de lançamento do filme “Deus é brasileiro”, dirigido por Cacá Diegues, resolvi dedicar quase duas horas de uma tarde de domingo para apreciar esta obra cinematográfica de título tão atraente. Há quase dez anos atrás, talvez meus julgamentos prévios, conceitos sobre Deus e a forma como me relacionava com Ele, me fizeram podar o interesse em conhecer a obra.
           Nesta comédia, Deus, fatigado da desordem do mundo, resolve tirar umas férias, andar de bobeira pela galáxia como fazia há tempos atrás. Para isso, procura um substituto temporário, fora dos padrões religiosos, diga-se se passagem. Nesta aventura o Criador encontra-se com uma espécie de guia turístico, um tal Taoca, atrapalhado pescador que a todo momento desafia o Todo-poderoso  a fazer milagres. Para Deus, fazer milagre é coisa muito trabalhosa, por isso, evita na maioria das vezes. Taoca também aproveita o encontro para tirar dúvidas e expor suas opiniões teológicas.
           E por falar em assuntos teológicos, pude perceber que o filme desenha um caminho antagônico àquele proposto pelo movimento que a cada dia ganha terreno em nosso país, a chamada Teologia da Prosperidade. Talvez os defensores desta Teologia considerem este filme muito prejudicial aos seus discursos. Primeiro, porque para eles, pensar em um Deus que se cansa é dar um tiro no próprio pé. Segundo, porque enxergar o milagre como algo que Deus não gosta muito de fazer é o mesmo que retirar a mola propulsora de sua engrenagem. Neste movimento, Deus é nada mais nada menos que o refém do homem.
           O filme trata de questões relacionais entre o ser humano e o ser divino. Por isso, a música Anjos caídos, do grupo Cordel do fogo encantado se encaixa tão bem ao enredo do filme. Uma das cenas digna de destaque é aquela em que o Criador ao ouvir esta música explica: “Eles estão dizendo que os seres humanos são os anjos caídos que Deus mandou cá pra Terra de castigo por terem botado defeito na criação do mundo. Aqui eles aprenderam com os bichos a ter filhos, viraram muitos, começaram a inventar casa, rua, cidade, país e um monte de máquina. Era pra imitar Deus ou mexer em tudo que ele tinha inventado. No início Deus ficou danado da vida, mas, depois acabou foi amolecendo o coração com o dengo dos anjos caídos e com o jeito errado deles fazerem as coisas, surpreendentes, fora de controle, diferentes do resto”.
           Confesso que depois de ouvir da boca do Altíssimo uma explicação como esta, vê-lo andar de mochila nas costas, caminhar com gente “errada”, viajar em um caminhão roubado e de pau de arara pelo sertão nordestino, ficou muito mais difícil pensar que Deus está apenas revestido de poder e assentado num sofisticado trono de glória.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Um livro sobre cegueira



Depois de assistir ao filme e a um espetáculo de dança baseados na obra Ensaio sobre a cegueira do escritor português José Saramago, resolvi ler o livro, narrativa ficcional da chegada de uma epidemia, denominada cegueira branca, que atinge uma cidade. Comparada com um imenso mar de leite, este mal ainda que seja branco leva suas vítimas às mais densas trevas. Mas, também possibilita às pessoas enxergar que é preciso resgatar o afeto, a sensibilidade, a compreensão, o perdão, o cuidado, a ética e por que não dizer o amor?
A cegueira branca, diferente das suas vítimas, se relaciona com todas as pessoas sem distinção de raça, sexo, idade ou religião. Os personagens desta história de Saramago não possuem nome, ele entendeu que “dentro de nós há uma coisa que não tem nomes, essa coisa é o que somos” e isto basta. Por isso, preferiu denominá-los assim: o primeiro cego, a mulher do primeiro cego, o médico, a mulher do médico, a rapariga dos óculos escuros, o velho da venda preta e o rapazinho estrábico.
No manicômio abandonado, lugar escolhido pelo Estado para isolar aqueles que foram atingidos pelo mal, vivem a espera da mísera alimentação os mais novos cegos e por ironia do destino tentam com muita dificuldade realizar atividades que antes declaravam ter a capacidade de fazer de olhos fechados. O lugar é fétido e desumano, mas não impede que os cegos reflitam sobre seus comportamentos e a condição em que se encontram. Alguém declara filosoficamente: “Já éramos cegos no momento em que cegamos”. Neste mesmo lugar também se encontra a única pessoa isenta da cegueira branca, a mulher do médico que entende que o antigo ditado Em terra de cego quem tem um olho é rei não tem valia para ela, pois se encontra de “mãos atadas” e não suporta assistir a degradação do ser humano. Em alguns momentos, deseja até ser cega para se tornar igual aos outros e aliviar seus ombros da “responsabilidade que é ter olhos quando todos os perderam”.
            Ler este ensaio foi para mim, talvez, um dos maiores mergulhos no mar das reflexões acerca da vida, da humanidade e de uma cegueira que faz parte de todos nós. É um livro carregado de angústia, aflição, nojo, medo, escuridão, mas acima de tudo, de resistência aos tempos escuros que vivemos.
Saramago declarou que nesta obra, tentou dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso. Por isso, cheia de coragem confesso que a cura da cegueira branca na ficção juntamente com a declaração final da mulher do médico abriu-me os olhos e me fez entender em nós outro antigo ditado O pior cego é o que não quer ver, pois sabemos que a nossa maldade é o que nos deixa cegos e mesmo assim não a abandonamos. Preferimos ser “Cegos que veem, Cegos que, vendo, não veem”.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Rosisca Darcy e o feminismo da diferença




Acabo de ler o texto “As mulheres em movimento: feminizar o mundo” de Rosisca Darcy de Oliveira. Nele, a autora faz uma análise histórica e bastante sincera do movimento feminista, apontando os equívocos que o discurso da luta de igualdade, difundido pelo movimento, gerou.
Segundo Rosisca, a igualdade no feminismo nasceu capenga e resultou em um equívoco revelado no acréscimo dos papéis ditos masculinos à vida da mulher e a realidade imutável da vida masculina. Este feminismo de soma zero, como denomina a autora, abriu caminho à crise de identidade psicossocial da mulher perceptível à medida que as mulheres se afirmam na vida intelectual e profissional.
A autora afirma que as feministas dos anos 70, leitoras de Simone de Beauvoir eram as herdeiras das lutas pela emancipação da mulher do começo do século e estas ecoavam ideais de igualdade no mesmo momento que enfrentavam a perplexidade de falar de dentro do mundo dos homens.
É nesse período que surge uma produção teórica significativa que transforma as demandas de igualdade em uma busca angustiada dos traços da diferença. Segundo Rosisca, é aqui que nasce uma geração exilada do feminino tradicional e ainda estrangeira no mundo dos homens resultando no projeto de “feminizar o mundo”, redefinição de um mal entendido de base.
Rosisca afirma que na trajetória do movimento feminista gerou-se, em duas etapas, uma contestação radical do senso comum. A primeira, quando a contestação visava provar que as mulheres não são inferiores aos homens. A segunda, quando a contestação feminina anuncia que as mulheres não são inferiores aos homens, mas, também não são iguais a eles e que essa diferença contém um potencial enriquecedor de crítica da cultura.
A autora ainda pontua que a igualdade defendida pelas mulheres nos anos 80, não era mais em nome da capacidade de semelhança aos homens, mas, em nome do direito da diferença, o denominado feminismo da diferença que introduz um questionamento mais radical redefinindo o feminino.
Rosisca sugere a presença dos homens no mundo das mulheres a fim de que se possibilite uma simetria de reconstrução do masculino, pois para ela a verdadeira igualdade é a aceitação da diferença sem hierarquia.
Portanto, a autora finaliza o texto afirmando que um diálogo amigo entre homem e mulher é a mais desvairada das utopias. Mas, que qualquer que seja o destino da relação entre sexos, o movimento feminista guardará o mérito por ter denunciado a insaciável intolerância a alteridade e levado as mulheres a ver o nada em tudo que não as representasse. Também terá tornado o Feminino presente e visível como corpo, história, cultura, crise e projeto.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Hoje é meu aniversário

Postagem feita hoje (26/03/2012) no facebook pelo meu amigo João Marcos (John)
Falar de Glauce Souza Santos ou simplesmente Gal, e para os íntimos dos íntimos Galdina, não é uma tarefa fácil, como muitos devam pensar. A simplicidade dessa pessoa faz dela um ser mais que complexo. Ao mesmo tempo em que demonstra uma ingenuidade, destila para todos os lados sua sagacidade voraz em conquistar seu espaço. Oportunista em tudo. Chega como quem não quer nada, mas, no fundo, no fund...o, tem sede de conquistas. Não deixa passar nada, pois descobriu com a própria vida que as oportunidades batem na porta uma só vez. E foi e é assim que ela tem chegado brilhantemente em todos os espaços onde está inserida. Desde a faculdade onde sua luta é intensa em favor da classe estudantil e por sua formação humanística, mais do que acadêmica, até sua participações em espaços religiosos em que sua consciência está para além dos dogmas impostos, buscando viver um cristianismo genuíno e verdadeiro. Não preciso com todas essas palavras ditas acima dizer o quanto sou fã dessa pessoa. Minha irmã, embora não seja de sangue, mas irmã, te amo muito! Conhecendo como conheço sua história digo que são poucos os jovens que teriam uma postura como a sua diante das dificuldades que enfrenta. Mas você é um SER DE LUZ. Iluminada por Aquele que representa o Sol da Justiça! Sei o quanto é difícil sua caminhada, mas as pedras existentes no caminho foram postas propositalmente, para que andes com mais cuidado e aprenda valorizar quando alçar longínquos voos. Meu coração enche de alegria, mas dos meus olhos brotam lágrimas. Alegria por saber de sua existência em minha vida e lágrimas ao pensar que hoje não estou aí para te abraçar e desejar-te toda a sorte de bençãos. Mesmo assim deixo registrado aqui minha paixão, meu amor, meu carinho, minha devoção por você, minha preta!!! TE AMO muitãoooooooo....não esqueça disso nunca!!! Parabéns por tudo o que representa para mim!!!

quinta-feira, 15 de março de 2012

Raça, gênero e o exercício intelectual





Gloria Jean Watkins ou simplesmente bell hooks*, é uma intelectual negra norte americana nascida na década de 50. Em seu texto Intelectuais Negras, ela discute sobre a importância do trabalho do intelectual, sobretudo os causadores da desvalorização das intelectuais negras e os seus dilemas.
Com o objetivo de sobreviver a uma infância dolorosa, bell hooks volta-se para o trabalho intelectual acreditando ser ele o instrumento de compreensão da sua realidade e do mundo em volta, como também, uma parte da luta pela libertação e compreende os danos da subordinação sexista na vida intelectual negra norte americana. Para ela, esta subordinação continua a obscurecer e desvalorizar a obra das intelectuais.
A pensadora afirma, que a negação às mulheres a oportunidade de seguir uma vida da mente é atuação do patriarcado capitalista com supremacia branca. Por isso, acredita que só através da resistência efetiva é possível exigir o direito de afirmar uma presença intelectual. Para ela, haverá maior estímulo para que as jovens estudantes escolham caminhos intelectuais quando comunidades negras diversas enfocarem os problemas de gênero e o trabalho de estudiosas for lido e discutido mais amplamente nesses lugares.
Hooks acredita que o trabalho intelectual pode nos ligar a um mundo fora da academia, aprofundar e enriquecer nosso senso de comunidade. E é essa ideia que ela afirma querer compartilhar com as jovens negras temerosas de que o trabalho intelectual nos aliene do mundo “real”.
Portanto, orienta as intelectuais negras comprometidas com práticas insurgentes a reconhecer o apelo para falar abertamente sobre a vida intelectual e sobre o trabalho como forma de ativismo. Pois, segundo ela, quando o trabalho intelectual surge de uma preocupação com a mudança social e política radical, quando esse trabalho é dirigido para as necessidades das pessoas, nos põe numa solidariedade e comunidade maiores e enaltece fundamentalmente a vida.

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*O apelido que ela escolheu para assinar suas obras é uma homenagem aos sobrenomes da mãe e da avó. O seu texto é assinado com letra minúscula, opção da própria autora.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Amadurar


 
Labor doloroso, sair do verde.
Renúncia do incerto que fui.
Amadurar...
Degustar o gosto bom que no maduro há.
Amadurecer...
Conhecer o gosto gostoso da fruta do ser.
Labor prazeroso, me conhecer.