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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Os personagens invisíveis do carnaval de Jorge Amado

Texto publicado no site F5 Jequié http://www.f5jequie.com.br/colunas/70-os-personagens-invisiveis-do-carnaval-de-jorge-amado.html

Para Lucas Correia, meu Balduíno


Este ano, o carnaval da Bahia tem como tema O país do carnaval, pois irá homenagear o centenário do escritor baiano Jorge Amado, autor de obras como Gabriela cravo e canela, Tieta do Agreste, Capitães da areia, Jubiabá, Cacau, Quincas Berro D’água dentre outras.
Em seus livros, Jorge Amado mostrou ao mundo a diversidade que compõe a Bahia e descreveu nossos vagabundos e excluídos dando a eles uma grande visibilidade. Em Capitães da areia e Jubiabá notamos a presença desses personagens nos becos, vielas, botecos e vários outros lugares da grande cidade misteriosa.
Seus personagens esfarrapados e esfomeados representam grande parte da população da cidade de Salvador. E são eles que a conhecem como a palma das suas mãos e buscam a cada dia a sobrevivência em meio às desigualdades.  
Mas, diferente das obras amadianas, a telinha da TV mostra o carnaval de gente rica usando seu caro abadá e cantando “Sou camaleão sou o seu amor...”. Enquanto isso, os personagens de Jorge catam latinha, vendem cerveja bem gelada, seguram a corda do bloco sem saber quando receberão o mísero pagamento e pulam na pipoca. Suas aparências e seus trajes não ajudam a grande mídia e a cor da pele atrapalha muitas vezes, por isso, eles não são filmados. São meninos de rua, alcoólatras, prostitutas, sindicalistas e todo tipo de desfavorecido. Destas pessoas, só interessa mesmo a mão de obra barata que em nada compromete o lucro arrecadado na festa pelos empresários. O carnaval na Bahia garante lucro para dono de bloco e curtição para quem tem dinheiro.
Meu desejo é vê gente como Pedro Bala, Sem Pernas, Balduíno e Quincas usufruir desta festa, como um direito. Mas, pelo jeito, isto está bem difícil de acontecer porque o país é do capital e o carnaval não é para qualquer um.