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domingo, 14 de dezembro de 2014

Felicidade

"A conquista da felicidade se dá dentro de cada um de nós e na confluência do encontro com Deus" (que ocorre de inumeras formas). Sendo assim, a felicidade é uma esfera da vivência humana. À luz do que Jesus ensinou é por meio dela que resgatamos em nós o mais profundo significado do ser humano. Porque a felicidade oferecida por Jesus se dá numa experiência de vida que não se finda no materialismo, antes, transcende as circunstâncias externas. Deste modo, vale lembrar que o dinheiro, os bens materiais, o reconhecimento, o prestígio, o poder e a fama, não tem nada a ver com a felicidade. Porque ela, fundamentada na fé ensinada por Jesus (de carater relacional e racional, ortodoxo e pratico, confessional e ético) nada pode corroer e ninguém pode roubar. (Minhas reflexões a partir de Ser é o bastante de Carlos Queiroz)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A vida é sempre mais

      
           No último dia 11 na Comunidade Batista Oásis, mais uma vez fomos conduzidos a uma reflexão coletiva recheada de simplicidade, graça, milagres e aprendizados para continuar caminhando com Jesus de Nazaré, aquele que se revela cotidianamente apontando algo novo para as relações da vida.
           A palavra ministrada pelo amigo e pastor Dey foi baseada no capítulo 11 do evangelho de João onde encontramos a narrativa da morte e ressurreição de Lázaro. A reflexão nos proporcionou uma aproximação de tudo aquilo que possivelmente esta morte e ressurreição nos ensina na caminhada com o mestre de Nazaré. Dey nos fez perceber como a narrativa de João pode nos deixar em “parafuso”. Primeiro, porque Jesus não se importa muito ao receber a notícia que o seu amigo estava enfermo. Parece que Jesus não se dá conta do poder que tem a presença de um amigo para um doente. Segundo porque Jesus demonstra total desprendimento em relação ao tempo cronológico e não se importa caso chegue atrasado ou tarde demais para o cerimonial fúnebre do seu amigo.
Se olharmos para esta História e fizermos aquele velho exercício de aplicação dos ensinamentos do texto bíblico às nossas vidas, vamos perceber que Deus também se revela no cenário das incertezas, dos traumas, das inquietações e tempestades no coração e isto muito nos ensina. É no cotidiano incerto que a ressurreição acontece.
Confesso que ao ler a narrativa cresceu dentro de mim certo medo, por saber que ela sendo mal interpretada, pode se enquadrar perfeitamente como um belo exemplo para a Teologia da Barganha, pelo simples fato de Jesus ressuscitar Lázaro após ser adorado. Não se assuste caso encontre por aí um pregador da barganha dizer: Adore como Maria, irmão de Lázaro, que a vitória é certa! Mas, deixando o medo de lado, confesso conseguir enxergar que Maria adora sem imaginar que naquele dia seu irmão ressuscitaria. E ainda, que a maior ressurreição desta história talvez não seja aquela acontecida com Lázaro, mas aquela sucedida nos corações de muitos presentes, a ressurreição do verdadeiro sentido da vida.
Na narrativa, Maria nos ensina o que é ter uma vida em constante adoração independente das circunstâncias. Parece que ela sempre escolheu a melhor parte, a exemplo do dia em que preferiu estar aos pés de Jesus, dia movimentado em sua casa – e isso não revela uma Maria irresponsável diante dos afazeres, mas, revela uma Maria que sabe valorizar cada momento da vida.  Ela é também aquela que adora, mesmo diante de cenários em que a morte está presente como principal adereço.
É preciso aprender que durante nossa existência para que haja ressurreição é necessário deixar morrer alguns lázaros e não só deixar morrer, mas principalmente, deixar cheirar mal e isso requer tempo.
Que possamos deixar morrer os traumas e as inquietações, só assim compreenderemos a maior lição desta história, a vida não se acaba no túmulo.  Jesus é aquele que chora diante da ausência da fé e manifestação da desesperança porque ele quer apenas nos ensinar: a vida é sempre mais.


sábado, 10 de dezembro de 2011

Jesus, o bagaço do bagaço

Confesso que não gosto de reler livros, exceto aqueles que me marcam profundamente. Abro uma exceção também àqueles que necessitam de fato serem relidos ou permitem com mais facilidade tal proeza. O Vila Maravila do pastor Marcos Monteiro é um destes livros. Hoje resolvi pegá-lo mais uma vez não para reler totalmente, mas escolher qualquer texto e ler já que a obra me permite fazer isto.
O livro é composto de crônicas baseadas em uma síntese de muitas andanças do pastor Marcos Monteiro entre as favelas do Brasil juntamente com personagens tão reais que segundo ele, deveriam ser inventados/as.
Reli então, mais uma vez a crônica O bagaço da cana. É a partir da tentativa de entender o conceito de Paranísio, um socialista convicto, que esta crônica é desenvolvida. Paranísio que é o presidente do sindicato dos ambulantes da Vila Maravila, afirma que a prefeitura é um moedor de cana humana. Para entender a simbologia utilizada pelo socialista, o autor nos convida a perceber o processo de moedura da cana. Ela é diversas vezes moída até restar o bagaço do bagaço, símbolo de resistência que merece nossa reflexão. Esta é a metáfora utilizada para descrever o excluído que assim como a própria cana, resiste a todas as moeduras.
Na nossa sociedade existem vários moedores de cana humana. O mais perverso parece ser o sistema capitalista opressor e alienante que mói a cada instante o ser humano tentando destruir toda forma de vida. Com a sua crônica Marcos Monteiro chama a atenção para a alegria do favelado que perde os dentes, mas não perde o sorriso. Ainda faz referência a Jesus que foi/é vítima de toda opressão, mas, demonstrou pela ressurreição a indestrutibilidade da vida e a resistência de todos os sonhos.
O Frei Carlos Mesters autor do livro Com Jesus na contramão também nos apresenta um Jesus vítima de um sistema opressor, mas, que vivia no sentido contrário do mesmo. No Natal, - festa mercadológica - , ganham destaque o Papai Noel, o trenó e o pisca-pisca. Sabe por quê? Porque estes nada sabem sobre indestrutibilidade da vida e resistência à opressão, bandeiras excluídas da agenda capitalista.

domingo, 30 de outubro de 2011

O Sermão do Monte, onde Ser é o bastante



Texto dedicado à Adriana Ichim a quem já teve o privilégio de ouvir

as doces palavras do Pr. Carlos Queiroz.


Acabo de ler o livro Ser é o bastante – felicidade à Luz do Sermão do Monte, do pastor cearense Carlos Queiroz. Neste livro o autor discorre sobre os ensinamentos do Sermão do Monte, mensagem importante para todo aquele que se torna ou pretende se tornar seguidor de Jesus.

Embora o Sermão do Monte seja um texto bastante conhecido da bíblia, Carlos Queiroz nos convida a lê-lo com encanto e deslumbre como quem lê pela primeira vez. Para ele, a redescoberta da vocação humana talvez seja um dos mais significativos aspectos abordados neste texto.

O autor discorre com maestria e simplicidade sobre a proposta apresentada no texto bíblico que aponta para a realização plena de nossa humanidade. Segundo ele, ser gente é o que há de mais profundo na vocação dos seguidores de Jesus.

Queiroz enfatiza em seu livro a radicalidade e não extremismo que há no texto do Sermão do Monte. Como também, faz questão de analisar os ensinamentos do mestre e faz isso detalhadamente versículo por versículo. Mostrando que o pobre de espírito citado por Jesus é aquele que tem exclusiva e total dependência de Deus. O conceito de Pobre/humilde apresentado por Jesus implica numa condição de alma, num estado de espírito, numa nova atitude em relação a Deus. O conceito de Jesus em relação à mansidão também nos é revelado. Segundo o autor, Jesus poderia utilizar seu próprio exemplo de vida ao falar em mansidão. Jesus vivia de tal forma a sua condição de ser que não sentia necessidade de provar aos outros coisa alguma, nem de competir por aquilo que não era, pois para ser não precisava destruir pessoas.

São conceitos de mansidão, felicidade, humildade, sensibilidade que nos são apresentados neste livro. Além disso, Carlos Queiroz nos proporciona uma reflexão sobre as inovações da oração do Pai nosso. Oração que segundo ele é a oração da intimidade, da dependência, da entrega absoluta, incondicional, da comunidade e da transcendência.

Leio este livro em um período da minha vida em que escolho me engajar em um novo projeto, onde Ser é o bastante.