sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

2º Resumo



O segundo resumo é referente ao texto O Desenvolvimento como Problema Nacional de Florestan Fernandes (versão condensada da conferência realizada no Centro Acadêmico André da Rocha, em 13-3-1967, sob o patrocínio de vários centros acadêmicos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), lido e estudado na disciplina Realidade Brasileira e Contemporânea.

O Desenvolvimento como Problema Nacional

Segundo Florestan Fernandes, as duas principais definições de desenvolvimento na sociologia são propostas ao nível da análise estrutural-funcional e da análise histórico-sociológica. A partir da analise estrutural-funcional, o desenvolvimento equivale a diferenciação das formas da integração da ordem social e pode ser representado como “multiplicação” das formas de interação numa sociedade. Na análise histórico-sociológica, o desenvolvimento significa o modo pelo qual os homens transformam socialmente a organização da sociedade e pode ser representado como “a forma histórica pelo qual os homens lutam, socialmente”.

Para Florestan, em termos sociológicos, o desenvolvimento deve ser encarado através de um grupo de sociedades, que compartilhe um mesmo padrão de civilização e as diferentes possibilidades que este oferece às sociedades que o compartilham para realizar um destino social historicamente comum. Segundo ele, a moderna civilização industrial, desde as suas origens alcançou maior ritmo de crescimento em certos países, embora ao longo prazo certas transformações substanciais se manifestem em todas as sociedadea que a compartilham. Numa civilização que passa como suporte societário um sistema social diferenciado e instável, a mudança constitui o meio fundamental de preservação do equilíbrio social.

O ritmo dentro do qual a mudança se manifesta é que varia. Florestan Fernandes afirma que quanto maior for o grau de integração da ordem social, tanto maior será a instabilidade dos fatores socioculturais dinamizados pelo funcionamento normal do sistema social. Em conseqüência, a intensidade e os efeitos da mudança social serão maiores, mas para se entender isto que Florestan chama de aparente paradoxo, é preciso compreender-se, como o regime de classes, a economia capitalista, a tecnologia cientifica e a organização estatal combinam-se nessa civilização.

Segundo ele, a posição das classes sociais na estrutura de poder da sociedade é que determina e gradua a maneira pela qual as mudanças sociais se concretizam historicamente. A “luta pelo poder político, representa uma luta pelo controle da mudança social”.

Dois aspectos centrais do funcionamento e expansão da moderna “civilização industrial” são discutidos. De um lado o fato de que ela tende a privilegiar a sociedade nacional que possua ou possuam condições mais vantajosas para o aproveitamento-limite das potencialidades de desenvolvimento do próprio padrão de civilização considerado. De outro lado, as sociedades nacionais que se polarizam marginalmente acabam ficando numa posição de desvantagem, pois o destino da civilização de que compartilham é determinado pelos interesses das nações que “comandam” o processo civilizatório.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Que a teoria saia dos nossos cadernos



Hoje estava folheando um caderno utilizado por mim durante o VI semestre do meu curso (Letras Vernáculas). Me deparei com três resumos meus, os quais julguei interessantes por causa da escrita clara e organizada. Sei que muitas teorias apregoadas na acadêmia acabam esquecidas nos nossos cadernos empoeirados e isto se torna um pecado quando se refere a teorias fundamentais para a nossa prática docente. Para que isto não aconteça em minha vida, resolvi retirá-las do caderno e publicá-las aqui no blog. Além disso, pretendo levá-las na mente. Dos três resumos encontrados, o primeiro a ser publicado é este, referente ao capítulo Oralidade e Letramento do livro Da fala para a escrita: atividades de retextualização de Luiz Antônio Marcuschi utilizado na disciplina Temas especiais I.

Resumo: MARCUSCHI, Luiz Antônio. Da fala para a escrita: atividades de retextualização – 3. Ed. – São Paulo: Cortez, 2001 (p. 15 à 24)

Segundo Luiz Antônio Marcuschi, a investigação da oralidade e letramento se dá com uma referência direta ao papel dessas duas práticas na civilização contemporânea, assim também se dá a observação das disciplinas e semelhanças entre fala e escrita.

Nas três décadas anteriores aos anos 80, a oralidade e a escrita eram examinadas como opostas. Assim, predominava o que Street (1984) chamou de “paradigma da autonomia”, em que se considerava a relação oralidade e letramento como dicotômica e não se vendo nelas duas práticas sociais.

É fundamental considerar que as línguas se fundam em usos e não o contrário. Baseando-se nisto, Marcuschi propõe que nossa atenção seja concentrada primeiramente nos usos da língua e não às regras da língua nem na morfologia, pois os usos que fazemos da língua são determinantes à variação linguística em todas as suas manifestações e que é a tarefa de esclarecer a natureza das práticas sociais que envolvem o uso da língua, escrita e falada, de um modo geral.

A respeito da presença da oralidade e da escrita na sociedade Marcuschi afirma que a escrita é usada em contextos sociais da vida cotidiana em paralelo com a oralidade e que as ênfases e os objetivos do uso da escrita são variados e diversos. Por isso, ele afirma que inevitáveis relações entre escrita e contexto devem existir. A partir desta compreensão entende-se que não só existe um letramento, mas também letramentos sociais que surgem e desenvolvem à margem da escola.

Relembrando algumas questões relativas à alfabetização, Marcuschi declara que um dos mitos a ser combatido na sua discussão é a ideia de que a alfabetização se tornou um passaporte para a civilização e para o conhecimento, que é uma tendência a reconhecer valores imanentes à própria tecnologia.

Ele distingue letramento, alfabetização e escolarização. Para Marcuschi, letramento é um processo de aprendizagem social e histórica da leitura e da escrita em contextos informais e para usos utilitários; alfabetização, compreende o domínio ativo e sistemático das habilidades de ler e escrever e mesmo se dando à margem da instituição escolar é um aprendizado mediante ensino; escolarização, é uma prática formal e institucional de ensino que visa a uma formação integral do indivíduo.

Ao questionar, quais são os usos da oralidade e da escrita em nossa sociedade, Marcuschi pontua que há diferença no uso da escrita entre homens e mulheres, que a perspectiva da escrita na escola é diferente da perspectiva que se tem fora dela e que o acesso à escrita é diferenciado.

Equiparar a alfabetização, domínio da escrita e da leitura, com desenvolvimento e sugerir que a entrada da escrita representa a entrada do raciocínio lógico e abstrato, são para Marcuschi teses cheias de equívocos. Pois, segundo ele, na sociedade atual, tanto a oralidade quanto a escrita são imprescindíveis. Trata-se de não confundir seus papéis e seus contextos de uso, e de não discriminar seus usuários.

Segundo Marcuschi, não deixa de ser enganoso o fato de usar o argumento que o progresso está de tal modo ligado à alfabetização, a favor da supremacia da escrita. Ele afirma, que a escrita é um fato histórico e deve ser tratado como tal e não como um bem natural. Ainda admite que a escrita tem hoje um papel muito diferente do que aquele que ela tinha em outros tempos e culturas. Isto prova que a história do papel da escrita na sociedade e da própria relevância da alfabetização não é linear. Além disto, ele diz que a alfabetização tem alguns aspectos contraditórios. Pode ser útil ou preocupante aos governantes. Para Marcuschi, o controle e a supervisão do Estado além de orientar o ensino para seus objetivos, sugere que a apropriação da escrita é um fenômeno “ideologizável”.

Marcuschi conclui afirmando que a imensa penetração da escrita e o seu predomínio tem deixado a fala, na ordem do dia, ou em segundo plano. Mas, ele chega a dizer ser bastante interessante refletir melhor sobre o lugar da oralidade hoje, seja nos contextos de usos da vida diária ou nos contextos de formação escolar formal.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Feliz Tempo Novo!

Vivemos num mundo de desamor e desconfiança. A palavra esperança vai desaparecendo do nosso vocabulário e nossos corações tornam-se secos.
Os que desejam sobreviver diante deste quadro caótico, seguem os bons conselhos dos sábios e dos poetas, pois eles estão sempre oxigenando a esperança e divulgando a crença em uma renovação da vida. Por isso Cecília Meireles nos alerta “...a vida só é possível reinventada”.
Mas para a maioria das pessoas, parece que é somente com a chegada de um novo ano que é possível recomeçar, reconquistar, renovar as alianças, amar e crer em um mundo melhor.
Que bom seria que estes desejos estivessem presentes não só nestas datas em transição, mas, durante toda a existência de cada homem e mulher. Assim, seria enorme a possibilidade de se construir um mundo com mais amor.
Por isso, desejo que a esperança se faça presente no cenário das nossas vidas hoje e sempre.

Feliz Tempo Novo!

sábado, 10 de dezembro de 2011

Jesus, o bagaço do bagaço

Confesso que não gosto de reler livros, exceto aqueles que me marcam profundamente. Abro uma exceção também àqueles que necessitam de fato serem relidos ou permitem com mais facilidade tal proeza. O Vila Maravila do pastor Marcos Monteiro é um destes livros. Hoje resolvi pegá-lo mais uma vez não para reler totalmente, mas escolher qualquer texto e ler já que a obra me permite fazer isto.
O livro é composto de crônicas baseadas em uma síntese de muitas andanças do pastor Marcos Monteiro entre as favelas do Brasil juntamente com personagens tão reais que segundo ele, deveriam ser inventados/as.
Reli então, mais uma vez a crônica O bagaço da cana. É a partir da tentativa de entender o conceito de Paranísio, um socialista convicto, que esta crônica é desenvolvida. Paranísio que é o presidente do sindicato dos ambulantes da Vila Maravila, afirma que a prefeitura é um moedor de cana humana. Para entender a simbologia utilizada pelo socialista, o autor nos convida a perceber o processo de moedura da cana. Ela é diversas vezes moída até restar o bagaço do bagaço, símbolo de resistência que merece nossa reflexão. Esta é a metáfora utilizada para descrever o excluído que assim como a própria cana, resiste a todas as moeduras.
Na nossa sociedade existem vários moedores de cana humana. O mais perverso parece ser o sistema capitalista opressor e alienante que mói a cada instante o ser humano tentando destruir toda forma de vida. Com a sua crônica Marcos Monteiro chama a atenção para a alegria do favelado que perde os dentes, mas não perde o sorriso. Ainda faz referência a Jesus que foi/é vítima de toda opressão, mas, demonstrou pela ressurreição a indestrutibilidade da vida e a resistência de todos os sonhos.
O Frei Carlos Mesters autor do livro Com Jesus na contramão também nos apresenta um Jesus vítima de um sistema opressor, mas, que vivia no sentido contrário do mesmo. No Natal, - festa mercadológica - , ganham destaque o Papai Noel, o trenó e o pisca-pisca. Sabe por quê? Porque estes nada sabem sobre indestrutibilidade da vida e resistência à opressão, bandeiras excluídas da agenda capitalista.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Luanda Beira Bahia

Olá pessoal, a Revista Anagrama publicou este mês minha resenha O Local e o Global em Luanda Beira Bahia.



Orientador: Profº Marcos Aurélio Souza

Resumo:
Esta resenha objetiva analisar a relação local/global e a construção da identidade nacional na obra Luanda Beira Bahia do escritor baiano Adonias Filho. O mesmo se fundamenta na discussão sobre globalização traçada por Milton Santos (2000), na ideia de identidade cultural e culturas nacionais, discutida por Stuart Hall (1999) e na leitura apresentada por Marcos Aurélio Souza (2010) sobre discurso fundacional e mestiçagem.

Palavras-chave: Adonias Filho; Identidade Nacional, Local e Global.

Clique aqui para ler a resenha completa http://www.revistas.univerciencia.org/index.php/anagrama/article/view/7864/7268


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Ordem

Floresça, cresça,
ego meu.
Alimente-se.
Nutra minha
humanidade.
Me faz gostar,
alegrar, exaltar.
Eliminar a metade.
Dos conflitos,
aflitos.
Tira o medo,
que me atira
no abismo das
emoções.
Me faz subir
um monte.
Encarar o
segredo
de viver.
Sem a mistura
delirante.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Salve Jorge, o menino grapiúna!



Jorge Amado nasceu em 10 de agosto de 1912 em Ferradas distrito do município de Itabuna na Bahia. Certa vez fez questão de esclarecer: “Sou itabunense, um grapiúna da região do cacau!”. Jorge viveu grande parte da sua infância na cidade de Ilhéus e por isso se considerava um menino de duas cidades.

Aos 11 anos de idade, o menino grapiúna foi para Salvador estudar no colégio dos padres jesuítas. Lá conheceu o padre Cabral que o influenciou bastante por ter um estilo alternativo de ensinar e emprestar-lhe bons livros. Padre Cabral era um professor diferente que não ensinava regras gramaticais, mas, lia maravilhosos textos para seus alunos. Este professor além de padre era um profeta, pois ao ler uma redação de Jorge, declarou: “Esse vai ser escritor!”. E a profecia se cumpriu, o menino escreveu muitos romances recheados de personagens marginalizados e fora dos padrões sociais. Jorge Amado partiu em 6 de agosto de 2001, mas deixou conosco Pedro Bala, Balduíno, Gabriela, Tieta, Dona Flor dentre outros para nos divertir.

Salve Jorge! Esta tem sido a saudação nas terras baianas nestes dias que antecedem o seu centenário. E o Instituto de Educação Régis Pacheco - IERP, também dá a sua saudação proporcionando aos seus alunos um mergulho na maravilhosa denúncia, a obra Capitães da Areia. E por ser uma denúncia, a obra foi queimada em praça pública no ano de 1937, ano de sua publicação. Capitães da Areia é do século passado, mas é tão atual...

A vida e obra de Jorge Amado nos fazem um convite que soa assim nos quatro cantos do mundo: “Vem ver a Bahia vem ver de amor de cacau de dendê, de brancos e negros vem ver, de muitos amores vem ver...”

Salve Jorge, nosso Amado grapiúna!


Obs: Nos dias 03, 10, 17 e 24 ,de novembro, às 13h na biblioteca do IERP, o Subprojeto de Letras do PIBID estará ministrando oficinas de leitura sobre o livro Capitães da Areia. É o projeto Novembro com o AMADO Jorge. Participe!!!