quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Teu jeito em mim

Ah... tempo inexorável

que insiste em me afastar de ti.
Vem fugaz, atropelando tudo.
Não me deixa curtir teu cheiro,
teu aperto, teu sorriso.
Ah... o ponteiro não para!
Está chegando a hora de se despedir.
É hora de ir!
O dever me chama.
E tenta apagar a chama.
Mas te carrego no peito.
E tua brincadeira inocente
eterniza em mim o teu lindo jeito.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O I CELLIC – Ciclo de Eventos linguísticos, literários e culturais





Nos dias 26 de outubro e 12 e 13 de dezembro, a Área de Literatura do DCHL e o Projeto de extensão Papo Lírico realizarão o I CELLIC (Ciclo de Eventos Linguisticos, Literários e Culturais), que consiste em uma série de eventos (palestras, minicursos, comunicações etc.), acerca da temática "Identidades Culturais: Brasil, Américas, África e Europa".

O I CELLIC consiste numa tentativa de pesquisadores da UESB e de outras instituições em apresentar um balanço teórico e crítico dos estudos linguísticos, literários e antropológicos na atualidade, perante ao impacto da chamada era "pós": pós-moderna, pós-estruturalista e pós-colonial. Importa entender, nesse sentido, tanto a formulação temporal e crítica da ideia de "pós", quanto uma série de movimentos que se estabeleceram nos últimos anos, sustentados ou não pela força desse prefixo, como o pós-feminismo, as teorias pós-coloniais, o hibridismo cultural, a diáspora negra, a crioulização, tensões entre o normativo e o descritivo na constituição das línguas contemporâneas etc.

O ciclo será dividido em dois eventos. O primeiro será realizado no dia 26 de outubro e é intitulado "Jorge Amado, quase 100", no qual teremos palestras e apresentações de comunicações sobre a obra de Jorge Amado, antecipando a comemoração do seu centenário e discutindo o crescente interesse por esse autor nos últimos anos, principalmente nas áreas da antropologia e dos estudos literários e linguísticos.

Nesse evento, teremos a presença de estudiosos que abordarão a obra amadiana, através dos pontos de vista literário, artístico, linguístico e antropológico. Farão parte dessas discussões o professor, doutorando pela UFBA, Marcos Cezar Botelho de Souza que falará sobre a leitura da obra de Jorge Amado pelo cinema, e o professor doutor Gildeci Leite que discutirá a noção de afro baianidade em obras como Tendas dos Milagres, Jubiabá etc. Além desses conferencistas, professores da UESB mediarão e apresentarão trabalhos. Três seções de comunicações oportunizarão apresentações de trabalhos por estudantes, pesquisadores da UESB e de outras instituições.


O segundo evento, sob o título de "Identidades linguísticas e culturais", a se realizar nos dias 12 e 13 de dezembro, consistirá em minicursos, apresentações de comunicações e palestras sobre o tema emergente da produção e invenção de identidades de gênero, sexuais, raciais, sociais e linguísticas na contemporaneidade, assim como a produção artística e literária, presente nesse contexto. Nesse evento teremos comunicações, conferências, minicursos, que versarão sobre cultura, língua literatura, gênero, raça, sexualidade etc. Os professores doutores da UFBA José Amarante Sobrinho, Florentina Silva Souza e José Henrique Freitas, o professor Jorge Augusto da UESB e a pesquisadora Marisa Falcão farão parte de mesas que versarão sobre a relação língua, cultura, arte e sociedade contemporânea.

As inscrições começam no dia 30/08 de 2011 (terça-feira) e podem ser feita no blog: cellicuesb.blogspot.com, ou no DCHL/UESB (Departamento de Ciências Humas e Letras), rua José Moreira Sobrinho, s/n, Jequiezinho- Jequié/Ba.

Prof. Dr. Marcos Aurélio Souza

Coordenador do I CELLIC

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Resultados da greve discente UESB Jequié

CARTA À COMUNIDADE ACADÊMICA DA UESB

Jequié, 05 de agosto de 2011.

É com muita alegria que nós, representantes dos Centros Acadêmicos (CA’s) e militantes do Movimento Estudantil (ME) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), registramos a importância e os resultados do movimento político vivido entre os dias 22 de março a 12 de julho do ano de 2011 na UESB, protagonizado por nós.

Este movimento se consolida como um marco na História da Universidade e do ME, pois, o mesmo, deu início às manifestações ocorridas no Brasil no corrente ano. A sua força resultou em um movimento grevista unificado entre discentes e docentes que impulsionou as demais universidades estaduais a ostentar também a greve e lutar por uma Educação de qualidade para o estado da Bahia.

A greve dos discentes foi marcada por uma campanha nas redes sociais que deu visibilidade nacional à UESB – Jequié. Foi com a participação da base de forma democrática nas reuniões, assembleias, articulações, negociações, passeatas e ocupações da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) e da Reitoria da UESB que obtivemos conquistas significativas para a Educação baiana.

No entanto, com o objetivo de tornar público, elencamos aqui as conquista da UESB campus de Jequié:

· Retomada das obras no campus de Jequié: Módulo de aulas “A lenda” e pavimentação.

· Melhorias para acessibilidade no campus.

· Liberação do Quadro de Cotas Mensais do orçamento da universidade (QCM)

· Termo de compromisso assinado pela reitoria com os estudantes

· Instalação de ar condicionado nas salas

· Articulação dos estudantes das Universidades Estaduais da Bahia (UEBAS)

· Retomada da reformulação do Estatuto da UESB

· Retorno da Assembleia Universitária

· Data fixa para recebimento da bolsa de Assistência Estudantil

· Contratação e Abertura de concursos para professores substitutos

Vale ressaltar que além destas conquistas, os 107 dias de mobilizações, na UESB de Jequié, proporcionaram a cada militante um crescimento político, ideológico e humano extraordinário.

Entendemos que agora a UESB vive um novo tempo, configurado por uma consciência que acredita nas possibilidades de conquista através da luta conjunta.

Neste sentido, aproveitamos para convidar a cada estudante para participar da escolha da nova coordenação do Diretório Central dos Estudantes DCE que terá como objetivo a continuidade das nossas lutas e formulação das políticas estudantis.

Assinam esta carta os representantes dos Centros Acadêmicos e Militantes do Movimento Estudantil.


"Se ainda sonho com uma Universidade mais digna e democrática, da luta não vou me retirar, 'até a liberdade raiar'."

Glauce Souza Santos - Discente do curso de Letras - UESB - JQ


domingo, 24 de julho de 2011

Geovana e a função social da escrita

Ontem à tarde, dia 24 de julho de 2011, orientei minha sobrinha Geovana, à produzir uma resenha crítica a respeito do filme “Wall-e” lançado pela Walt Disney. Geovana tem doze anos de idade e cursa o 6º ano ou 5ª série do Ensino Fundamental no Colégio Municipal Presidente Médici na cidade de Jequié. Esta resenha foi solicitada como uma das atividades avaliativas da disciplina de inglês. Não sei ainda qual a relação da resenha deste filme com a disciplina e a minha sobrinha também não soube me explicar. Mas quero acreditar, e não vejo dificuldade nisso, que essa relação exista.

Para Geovana, a tarde deste domingo foi quase toda dedicada à esta produção. Ela achou necessário rever o filme para depois começar a escrever. Minha orientação dada à produção se baseou na seguinte dinâmica: ela contava-me sobre o enredo do filme e eu indagava sobre o objetivo e as causas dos acontecimentos ocorridos nele a fim de que ela percebesse as informações mais necessárias para compor o texto. Tentei mostrar à ela que a produção textual dependeria das informações obtidas (ter o que falar) e da escolha das estratégias para falar (eliminar os equívocos).

Uma amiga minha costuma dizer admirar a minha empolgação com tudo o que eu faço. Nesta tarde lembrei dessa amiga, pois, ao ajudar a minha sobrinha fiquei empolgada, pra variar. Eu além de me empolgar com o processo de produção me iludi com o tratamento que seria dado a este texto. Eu estava tão iludida que cheguei a falar para minha sobrinha: "Se a professora não acreditar que este texto é de sua autoria, me fale que eu vou lá conversar com ela!". Mas, como toda ilusão tem seu fim, Geovana fez somente adiantar o fim da minha. Sua revelação me fez acordar. Foi quando ela disse: "É...o pior é que a professora pede para escrever um texto e nem lê!". A partir daí, encontrei talvez um dos motivos do desinteresse e frustração de milhares de estudantes em relação à leitura e escrita. Entendo que ler e escrever sem uma função social não tem sentido. Mas, mesmo assim tentei justificar a atitude da professora pela quantidade de alunos que provavelmente ela tem em sala. Porém, minha justificativa foi sufocada quando minha sobrinha ainda revelou-me que poucos alunos realizam atividades como esta. Foi nesta tarde também que aproveitei para ter uma conversa séria sobre a função social da leitura e da escrita com Geovana e seu irmão de oito anos de idade (claro que falei por meio de uma linguagem adequada para eles, afim de que compreendessem o que eu estava falando). Durante a conversa percebi o seguinte: eles entendem que saber ler e escrever facilita muito a vida em sociedade e fiquei feliz! Então, para tentar solucionar o problema revelado, orientei a minha sobrinha a oferecer o seu texto para ser lido pela professora, a fim de que ele não cumpra somente o objetivo de computar nota na caderneta.

Infelizmente, a atitude corriqueira desta professora é um retrato da realidade de muitas escolas do nosso Brasil, onde a função social da escrita não é levada em consideração e os alunos que escrevem não são lidos. Lembro do que disse a professora Adriana Barbosa há poucas semanas atrás numa palestras na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB: “Quem escreve quer ser lido”, mas parece que a professora de Geovana ainda não entendeu isso. Resolvi então publicar o texto dela, porque pelo menos aqui ele cumprirá a função para a qual foi escrito ou deveria ter sido. Se a professora não ler, você lerá e decidirá se assiste ou não ao filme.

Resenha crítica do filme Wall-e

Por Geovana de Jesus Sousa

O filme “Wall-e” conta a história de um robô que fica sozinho no planeta Terra enquanto os homens estão no espaço, pois, poluíram o planeta a ponto de ninguém poder habitá-lo.

Este robô, chamado Wall-e, fica cerca de 600 anos organizando todo o lixo deixado pelos homens. Enquanto organiza os destroços, acontecem acidentes, como gases tóxicos que são vazados, consequência do lixo das pessoas. Estas pessoas ficam desocupadas no espaço e isso causa tédio à elas. O robô Wall-e por sua vez, vai atrás da nave que está o seu amor, Eva. Ela é uma robô modernizada que surge numa nave espacial de repente.

O trabalho realizado por Wall-e fez com que as pessoas voltassem para a Terra e consertassem os problemas.

O filme mostra uma situação crítica em que está o planeta quando um robô sem sentimento iniciando o processo de limpeza desperta as pessoas.